"Não vou ficar na pressão dos laboratórios", diz secretária
A realização de exames e testes em laboratório deu o tom e esquentou o clima na reunião do Conselho Municipal de Saúde (Comusa) de Brusque, realizada na noite desta quarta-feira (23). Conselheiros, membros da secretaria municipal de Saúde e representantes de laboratórios privados discutiram a implantação do laboratório Municipal e a viabilidade de o mesmo ser mantido.
O mais ferrenho crítico da existência do local foi o sindicalista Julio Gevaerd, que também é vice-presidente do Comusa. Ele falou sobre os custos de manutenção do local, bem como a quantidade de exames feitos - 65 atendimentos por dia, segundo relato feito pela responsável pelo laboratório ao Comusa.
"Limitar a 60 pessoas é um absurdo, se vocês fazem 200 por hora. Penso que tem que se rever ", disse Julio, após ouvir que o equipamento que realiza alguns tipos de exames tem capacidade de emitir 200 deles por dia.
A responsável pelo laboratório, Ana Paula, apresentou dados sobre o trabalho da unidade e os custos que o mesmo dá aos cofres da prefeitura. E, daí em diante, se desencadeou a discussão sobre a viabilidade do espaço. No debate, entraram também os donos e responsáveis por laboratório privados, que reclamam da perda de receita.
Segundo os números apresentados, o laboratório Municipal gastou no mês de fevereiro, com a realização dos testes, algo em torno de R$ 13 mil. Caso os mesmos tivessem sido feitos em laboratório privados, a partir de convênio destes com a prefeitura, como vinha sendo feito, o valor chegaria a R$ 29 mil.
Entretanto, observaram os donos de laboratórios, o valor salta para R$ 40 mil, incluindo gastos com aluguel e folha de pagamento. O trabalho seria feito nos laboratórios privados pelos mesmos R$ 29 mil, alegaram os empresários. "Nunca deixamos de atender ninguém. Nossa cota de exames diminuiu em torno de 33%", disse Maria Alice Vilrich, diretora técnica de um dos laboratórios privados presentes.
A alegação dada pela responsável pelo laboratório Municipal é que um aparelho adquirido ainda na gestão passada seria um dos fatores que elevam o custo de manutenção do laboratório. "Pelo que sabemos, pelo que foi demonstrado, o laboratório público está dando mais gastos do que se fosse pago num particular", comentou Heinz Wilrich, representante de outro laboratório particular.
A secretária municipal de Saúde, Cida Belli, disse que não vai ceder à pressões dos empresários e que é preciso dar tempo para que o espaço inaugurado pelo poder público se mostre eficiente e mais barato. "No momento em que o laboratório se mostrar inviável financeiramente, ele será fechado. Agora, ele precisa comprovar a inviabilidade. Não vou ficar na pressão dos laboratórios", disse ela, batendo boca em seguida com o vice-presidente do Comusa, Julio Gevaerd, sobre a questão.
Julio dissera durante a reunião que o laboratório Municipal é apenas "uma propaganda política desse governo", em referência à administração municipal. Para encerrar as discussões, acaloradas, a presidente do Comusa, Sueli Lauritzen, sugeriu que se dê um prazo para que o laboratório Municipal mostre ser viável. Ficou estipulada uma nova discussão sobre o caso em outubro.
Uma das alegações usadas pelos contrários à instalação do laboratório Municipal foi a de que todos os exames e testes ficam concentrados na unidade, localizada na rua Pastor Sandreszki, no Centro. Com isso, as pessoas têm que se deslocar dos bairros e aguardar por horas para realizar os mesmos.
Quando feitos nos privados, as pessoas não precisaraim, em muitos casos, sair de seus próprios bairros. A situação das gestantes foi o exemplo utilizado por eles.



